17 de dez de 2010

Recordar é viver - Matéria da Revista Veja de 1983 sobre o pesadelo da prestação da casa própria

Brasileiro tem memória curta, isso é fato. Talvez outros povos de outros países também, mas igual aqui acho difícil. A declaração que achei mais interessante e atual na reportagem é a seguinte: "Tenho um salário mensal bruto de 350.000 cruzeiros. A prestação deverá levar 230.000, mas mesmo assim continuo achando que pagar aluguel é jogar dinheiro fora", diz o engenheiro eletrônico Flávio Selmo Júnior, 30 anos, casado, com dois filhos.
Esse mesmo engenheiro resolveu alugar o apartamento e ir morar com os pais para "manter sua dignidade e não pagar aluguel". Será que estamos assistindo ao mesmo filme?




www.veja.com.br

29 de junho de 1983 
O sonho interrompido
Esmagada por um aumento de 128%
nas prestações da casa própria, a
classe média reclama, se organiza
e ameaça enfrentar o BNH
A partir desta sexta-feira, 1º de julho, o fantasma do reajustamento de 128% nas prestações das casas próprias começa a bater à porta dos 3,6 milhões de mutuários do Sistema Financeiro da Habitação. É uma pancada forte, insuportável para boa parte dessa multidão que ocupa dois de cada dez imóveis urbanos do país e, aos poucos, reclama, organiza-se e protesta. Na segunda-feira da semana passada, setenta mutuários paulistas amanheceram agressivamente em Brasília. Foram para a porta do Ministério do Interior, sob cuja jurisdição está o Banco Nacional da Habitação, levando faixas com os dizeres “130 Não, BNH Ladrão", ou "Queremos Moradia, Abaixo a Mordomia". Postados à frente de um cartaz onde um Dragão-BNH está prestes a devorar um infeliz mutuário, exigiram que o ministro Mário Andreazza os recebesse, gritando da rua: "Desce, Andreazza". O ministro do Interior desceu e, mais uma vez, prometeu que o governo fará o possível para baratear os 128%.
Apertado entre a questão social e a severidade da conta que prevê o cálculo dos reajustes anuais das prestações com base no valor das UPCs - Unidades Padrão de Capital, a moeda contábil do BNH, cujo valor é vinculado ao das Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional -, Andreazza promete sem saber se poderá fazer alguma coisa. Enquanto isso, pipocam por todo o país manifestações patrocinadas pelas recém-nascidas Associações de Mutuários. No Rio de Janeiro, a associação da Barra, que abrange os elegantes bairros da Barra da Tijuca, São Conrado e Recreio dos Bandeirantes, começou a estudar uma forma de recorrer à Justiça contra os 128%. Em Curitiba, a Associação de Mutuários se reuniu no auditório do Colégio Estadual do Paraná e decidiu iniciar os trâmites jurídicos. De outro lado, a Ordem dos Advogados do Brasil já reuniu uma equipe de vinte advogados para estudar o problema e assistir os interessados.
Fora do campo das pesquisas legais, a Associação de Mutuários de Colina, um conjunto na periferia de Porto Alegre, decidiu há mais de dois meses que suas 2.000 famílias suspenderiam o pagamento das prestações.
"Acredito que nove em dez devedores seguirão a decisão", diz Gilberto Sadoski, presidente da Associação dos Mutuários. Do outro lado da caixa, no Recife, o diretor da Companhia de Habitação Popular de Pernambuco - Cohab -, Frederico Carvalho, alarma-se: "Estamos com mais de 1 bilhão de cruzeiros de prestações vencidas de mutuários e, por falta de financiamento do BNH, devemos 1 ,5 bilhão aos empreiteiros". Por três vezes o governo procurou paliativos contra a pancada dos 128%, mas por três vezes falhou, pois todas as fórmulas desembocavam num só resultado: pagamento, num prazo de seis meses, uma mesma quantia em moeda corrente. De Belo Horizonte, onde empunha um rolo de papel com dezenas de metros comprimento, contendo centenas de assinaturas de protesto, José Gonzaga de Souza, presidente da Associação de Mutuários do Brasil, pretende enviar seu cartapácio ao presidente do BNH, José Lopes de Oliveira. Gonzaga ameaça: "Eu pretendo desmascarar o ministro Mário Andreazza, que iludiu o presidente João Figueiredo, fazendo com que ele assinasse um decreto que em nada resolve a situação dos mutuários" .
Andreazza diz ter feito o possível e, mesmo sem dispor de uma solução a oferecer, mostra-se solidário com os descontentes. "Considero o Sistema Financeiro da Habitação uma das coisas mais sérias já implantadas no país", diz o ministro. "Por isso, não podemos permitir que os mutuários fiquem em condições de não poder pagar suas prestações." José Lopes de Oliveira, um técnico silencioso que fez sua carreira através de brilhantes exercícios de cautela política, foi ainda mais longe e, há duas semanas, previu audaciosamente no Senado que, a perdurar a situação econômica do país, o BNH poderá ruir dentro de um ano.
COBRANÇA INEXORÁVEL - Aos 19 anos de idade, o BNH está com a sobrevivência ameaçada porque ameaça explodir o orçamento de seus clientes. Há três meses, pela primeira vez em sua história, houve mais saques que depósitos no Fundo de Garantia do Tempo de Serviço. Desde janeiro, pela primeira vez, caem sistematicamente os depósitos em cadernetas de poupança. E nesta semana, também pela primeira vez, o Sistema Financeiro da Habitação corrigirá as prestações num percentual superior ao que valeu para as correções de salários. A UPC, moeda em que o BNH recebe, subiu 128% nos últimos doze meses enquanto o INPC - Índice Nacional de Preços ao Consumidor -, usado para corrigir a moeda com que são pagos os salários, subiu 118%. Desse paradoxo livraram-se, graças a uma lei esquecida, os funcionários públicos. Um advogado de Brasília descobriu que aos funcionários era dada a garantia de que os reajustes não ultrapassariam as percentagens de seus aumentos. Foi à Justiça e obteve uma liminar. Receoso, o BNH recuou e, por decreto do presidente Figueiredo, os funcionários só pagarão 82% de aumento. A diferença será coberta pelo banco.
Para quem não é funcionário público, os 128% serão inexoravelmente cobrados, quer numa só pancada, quer em diversas, de acordo com as fórmulas oferecidas pelo BNH. Nesse grupo, onde estão mais de 3 milhões de mutuários, vicejam três atitudes diversas. A primeira, que deverá ser adotada pela grande maioria, será reclamar e pagar. "Tenho um salário mensal bruto de 350.000 cruzeiros. A prestação deverá levar 230.000, mas mesmo assim continuo achando que pagar aluguel é jogar dinheiro fora", diz o engenheiro eletrônico Flávio Selmo Júnior, 30 anos, casado, com dois filhos. Evidentemente, Selmo não poderá continuar vivendo no apartamento que comprou no bairro de classe média do Brooklin, em São Paulo. Vai alugá-lo e, enquanto as coisas não melhorarem, irá com a família para a casa dos pais. Para ele, o sonho da casa própria continua.
A CORDA NO PESCOÇO - Para o segundo grupo, contudo, o sonho se acaba. Nele estão as pessoas que venderão seus imóveis num mercado que deverá entrar numa baixa cruel, ou o devolverão ao agente financeiro, a empresa junto à qual fizeram a dívida. "Aqui a maioria das pessoas já está com a corda no pescoço e agora, com o aumento da prestação, elas acabarão de se enforcar", diz Aglacir Rocio de Lima enquanto coloca seus móveis no carro da mudança e desiste do apartamento de 40 metros quadrados num conjunto a 18 quilômetros do centro de Curitiba. Seu marido, Agnaldo, é funcionário da Rede Ferroviária Federal, ganha 58.000 cruzeiros e não teria os 17.000 da prestação de julho. Quando os 128% chegarem eles estarão sob o teto dos pais de Agnaldo.
A nova prestação bateu forte sobretudo na classe média e, ao feri-la, atingiu-a no que ela tem de mais sensível: o padrão de vida. No Rio de Janeiro, o engenheiro Fernando Antônio Rangel Lana, 30 anos, e sua mulher Sandra, da mesma idade, conseguiram as chaves da casa própria há dois anos. Compraram um pacato apartamento de sala e dois quartos no bairro de classe média da Tijuca. Com o reajuste o apartamento tornou-se uma fera. Rangel Lana fez todas as contas possíveis, inclusive a da utilização do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço para abater o valor das prestações e rendeu-se. Com 230.000 cruzeiros de salário não poderia enfrentar os 158.000 de prestação. "Acho até que nós tivemos sorte", diz, "pois conseguimos vender o apartamento." O casal procura alugar um imóvel em Copacabana e Sandra confessa: "Afinal, estamos muito jovens para ficar neste sufoco" .
'VOU PARAR DE PAGAR' - Na terceira ponta está o grupo que pretende enfrentar o BNH e decidiu-se pela suspensão dos pagamentos. É o caso da advogada paulista Lígia Ribeiro de Oliveira, 38 anos, proprietária de um apartamento de sala e quarto num edifício que lhe oferece o conforto de uma piscina, no bairro do Paraíso, perto do centro. Ela teria que pagar 216.000 cruzeiros e avisa: "Já tomei minha decisão. Vou parar de pagar e quero ver o que vai acontecer" .
É possível que ela venha a perder o apartamento caso não mude de idéia, mas, até lá, será para o BNH um adversário tão temível quanto o são os 128% para os mutuários. O fantasma da inadimplência, seu subproduto, as casas vazias, devolvidas e difíceis de ser revendidas, são os fantasmas que assombraram o presidente do BNH, levando-o a temer pela vida de todo o sistema federal de habitação. Para receber o que lhes é devido, as empresas de crédito imobiliário sempre dispõem da ameaça contratual de tomar de volta os imóveis, sem devolver nada do que já foi pago. Essa ameaça, porém, perde força se uma empresa se vê diante da possibilidade de transformar sua carteira imobiliária num conjunto habitacional. Não lhes interessa receber de volta em tijolos, telhas e cimento uma quantia que emprestaram em dinheiro bom: Unidades Padrão de Capital, sujeitas a reajustes, e não cruzeiros, dinheiro ruim, sujeito a inflação.
O MONSTRO DO ATRASO - "De todos os perigos o maior é a inadimplência", diz José Lopes de Oliveira. E explica: "Sem o dinheiro arrecadado com o pagamento das prestações, o banco simplesmente ficará sem recursos para cumprir a sua finalidade, que é a de financiar mais moradias". De fato, é para o índice vital da inadimplência que estão voltadas as atenções do BNH, do Ministério do Interior e até mesmo do Palácio do Planalto, onde se sabe que algum remédio heróico deverá aparecer caso os mutuários indiquem que efetivamente não têm como pagar. Tão delicada é essa questão que o BNH recusa-se a fornecer dados a seu respeito, limitando-se a informar que ela hoje está em tomo de 18%, quando há poucos anos esteve em 12%. Para o BNH, porém, inadimplente é o mutuário que atrasa a terceira prestação consecutiva, e não a primeira. Em alguns pontos do país, quer pela extensão da crise econômica, quer por dificuldades sociais, pagar a prestação da casa tomou-se exceção, enquanto a regra é esperar. No interior de Pernambuco,sobretudo na região mais assolada pela seca, a inadimplência já chegou a 90%, segundo os dados da Cohab. "É preciso reconhecer que o Banco Nacional da Habitação pertence ao conjunto da economia brasileira e como tal recebe os fluxos e refluxos da maré", ressalva José Lopes de Oliveira, atribuindo a crise que preside a fatores externos, com o mesmo tipo de raciocínio usado pelo governo federal para atribuir à crise internacional as dificuldades da economia brasileira. Nessa linha, o Brasil continuaria a ser um país sem problemas e o BNH uma ilha de apartamentos baratos se, de fora, não tivessem vindo maus ventos. Esse argumento, porém, não explica por que o BNH enredou-se numa conta socialmente inviável enquanto outras instituições financeiras, privadas, conseguem ter seu melhor período de lucros precisamente numa época de crise. As contas do BNH não fecham porque há uma crise, mas isso também sucede porque ele foi dirigido, desde sua fundação, na crença de que jamais haveria crise que o Planalto fosse incapazde resolver. Colocada essa premissa de infalibilidade, comum à tradição estatal brasileira, montaram-se políticas e programas, construíram-se sedes luxuosas e criaram-se quadros pantagruélicos de funcionários de acordo com o planejamento do desejável. Agora verificou-se que se desejava o impossível.
O PREÇO DA SOBERBA - Se o BNH está metido na maior crise de sua história, que custa o sono de milhões de mutuários, esse é o preço que o poder público paga, dezenove anos depois, por ter tido a soberba de acreditar-se tão poderoso a ponto de planejar, controlar, dirigir e fiscalizar a política habitacional do país.
Um exemplo banal do absurdo pretendido pode ser achado na indústria e comércio de automóveis. Para permitir que os carros ficassem mais acessíveis, as montadoras incentivaram a criação de consórcios. Neles, a cada mês os preços sobem e os consorciados pagam. Em contrapartida, quando não há consorciados e há milhares de carros nos pátios, empresas como a Volkswagen fecham seus balanços com prejuízos de dezenas de milhões de dólares. Com o programa habitacional pretendeu-se criar um sistema perfeito. Nele, as empresas de crédito imobiliário recebem depósitos nas cadernetas de poupança e, com o poder moderador do BNH, que está montado sobre o cofre do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, financiam imóveis. Se tudo dá certo, o mecanismo funciona, mas se dá errado, "o refluxo da maré" não tem dique onde se vá chocar, pois a solidez das companhias de crédito imobiliário está garantida por lei, já que o governo tem a obrigação de honrar todos os depósitos nas cadernetas até 12,5 milhões de cruzeiros.
O MILAGRE DE CLASSES - Nascido sobre um mercado imobiliário não confiável, pois os bancos privados afastaram-se desse setor com a alta da inflação da década de 50, o BNH entrou em cena juntamente com o instrumento financeiro que viabilizaria os financiamentos de casas próprias: a correção monetária. Ao nascer, porém, o banco se propunha resolver dois problemas semelhantes na aparência e diversos na realidade, o financiamento de imóveis para a classe média e a redução do déficit habitacional das camadas mais baixas da população. "O banco nasceu com um dilema. Tem vocação social, mas é um banco e, portanto, precisa remunerar o capital aplicado", diz o arquiteto Carlos Nélson Ferreira dos Santos, chefe do Centro de Pesquisas Urbanas do Instituto Brasileiro de Administração Municipal. Para ele o BNH deveria deixar de atender à classe média, voltando-se exclusivamente para a faixa de assalariados entre um e quatro salários mínimos, pois "não é possível continuar tentando fazer milagres, atendendo a todas as classes sociais" .
E mesmo em matéria de milagres, pouco se tentou. "Em 1975, apenas 3% do orçamento do BNH eram destinados para a construção de moradias populares" , ensina Gabriel Bolaffi, da Faculdade de Arquitetura da Universidade de São Paulo, para quem "o banco foi criado muito mais para atender os requisitos políticos dos governos que conduziram o efêmero ‘milagre brasileiro' do que para resolver o problema habitacional do país". De fato, por mais de dez anos o BNH foi sobretudo uma agência imobiliária para a classe média. Passados os ventos do "milagre" a instituição, rica e já montada numa burocracia de 8.500 empregados – 2.000 a mais que a agência federal de habitação do governo americano -, um orçamento de 1,1 trilhão de cruzeiros e uma das mais luxuosas sedes da "privilegiatura" nacional, viu-se obrigada a arcar com os custos de grandes obras de infra-estrutura urbana. Em suma, estatizou-se o problema de moradia, que, em países como os Estados Unidos, onde o total dos empréstimos é de 296 bilhões de dólares (94 bilhões só no ano passado), essas operações são feitas por 14.500 bancos e 3.500 caixas de poupança privadas.
Nada no BNH foi feito à força. O banco e sua política, subordinados ao Ministério do Interior, foram usados para fins de propaganda (que, em muitos casos, irritam os próprios mutuários. Com freqüência, tanto o presidente do BNH quanto o ministro do Interior orgulham-se de ter construído dezenas de milhares de casas. Não há nos arquivos do sistema habitacional brasileiro um só ministro que tenha agradecido aos mutuários por terem pago as casas que eles dizem ter construído, permitindo sempre a impressão de que teriam sido dadas de graça.
PACTO COM O DIABO - No momento em que o BNH se opôs financiar casas para a classe média, conjuntos para as classes mais baixas e obras sanitárias para as zonas suburbanas, fez uma aposta com o diabo, transformando as leis do mercado m programas de metas. Assim, mesmo uma época de crise, não houve na história do BNH nem na do Ministério do Interior um só ano em que seus dirigentes desistissem de anunciar a construção de algumas centenas de milhares de casas, como se não existisse um meio ambiente econômico em torno destas intenções. Em países que têm um sistema estável de financiamento à casa própria, as condições de mercado são decisivas no número de habitações construídas ou vendidas a cada ano. Se as taxas de juros estão altas demais, por exemplo, encarecendo muito o preço das prestações, a quantidade de casas negociadas dentro do sistema cai verticalmente - foi o que aconteceu nos EUA nos dois últimos anos de recessão, quando a construção civil para habitação praticamente parou. Se, ao contrário, a situação econômica permite prestações mais acessíveis, o sistema se expande.
Nos quase vinte anos de existência do BNH tornou-se possível, sem dúvida, o acesso de um número considerável de brasileiros à casa própria. Até dezembro de 1982 o sistema havia financiado 4.071.000 imóveis residenciais em todo o país, dos quais 407.000 já foram integralmente pagos - sobrando, assim, no momento, 3.664.000 contratos cujas prestações estão sendo saldadas. São números expressivos. Eles mostram que foram compradas através do BNH quase 40% de todas as 11 milhões de casas próprias existentes nas cidades brasileiras, segundo o censo de 1980 - que, por sua vez, representam a maioria do grande total de pouco mais de 18 milhões de domicílios urbanos, próprios e alugados, que existem no Brasil. Muitas casas e apartamentos foram construídos e vendidos desde a criação do BNH .
Mas o sistema financeiro a que se devem submeter os compradores começa a se revelar inviável.
Além disso, o Sistema Financeiro da Habitação foi usado indevidamente para remendar buracos em sociedades privadas e na caixa do governo. "No momento em que o BNH começou a financiar exportações e a comprar ORTN sem liquidez, financiando o déficit público com recursos destinados à casa própria, surgiram os primeiros sinais de erosão", denuncia Maurício Schulman, ex-presidente do Banco, hoje diretor da Bamerindus Crédito Imobiliário. Tudo isso sucede precisamente numa época em que todos os comandos de captação do BNH indicam sinal de perigo. Seu grande patrimônio são os depósitos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, que equivalem a três vezes o meio circulante brasileiro. Em abril passado, pela primeira vez em quase 20 anos, o valor dos saques sobre o Fundo - 112,6 bilhões de cruzeiros - superou o de depósitos - 100,5 bilhões - numa demonstração do efeito perverso que o desemprego leva para dentro do próprio Tesouro Nacional. O segundo cofre do sistema, onde se sustentam as sociedades de crédito imobiliário, é o das cadernetas de poupança e dele também veio um sinal de alerta. Entre janeiro e maio 208,4 bilhões de cruzeiros fugiram das cadernetas, que há dois trimestres perdem depósitos.
O MEDO DE JULHO - O dinheiro foge das cadernetas para cobrir buracos no orçamento doméstico ou para gozar do conforto de melhores investimentos. Agora, o presidente do BNH teme que se dê uma nova sangria, pois "enquanto as cadernetas oferecem uma remuneração de 6 a 7%, os bancos podem bancar papéis com até 10% de juros reais, e isso afetaria a captação". Na mesma linha, raciocina o corretor carioca Adolpho de Oliveira: "No início de abril, na virada do primeiro trimestre, o sistema perdeu 304 bilhões de cruzeiros. Em julho se espera esse mesmo desastre".
Por mais que o BNH demonstre que há um "refluxo da maré", os 128% de aumento das prestações continuarão do mesmo tamanho e como a maioria dos mutuários está na classe média, a mais atingida pelas medidas com que o governo procura enfrentar a crise econômica, é do coração das grandes cidades que se ouve a irritação. "A classe média está irada, pois ela tem capacidade e vontade de crescer, mas não lhe estão dando oxigênio", diz Márcio Fortes, presidente da João Fortes Engenharia e ex-secretário-geral do Ministério da Fazenda. "Nos últimos três anos a classe média perdeu 15% de seu poder aquisitivo e perderá mais com a mudança na lei salarial. Ela pagou um preço alto demais e o governo deveria poupá-la de novos sacrifícios", acrescenta José Eduardo de Oliveira Penna, ex-diretor do BNH.
MAL DE BELÍNDlA - A declaração de Penna é um exemplo da ambigüidade que rondou a política nacional de habitação. Há dez anos, quando ele estava no BNH e a instituição era acusada de privilegiar a classe média alta com seus financiamentos, ele informava que "o BNH sempre foi e sempre será um banco. O objetivo social só será alcançado através da eficiência financeira. Por isso, precisamos financiar o mercado superior para, então, oferecermos juros baixos ao mercado popular". Ou seja, dentro do melhor espírito do milagre, a Bélgica formada pelos brasileiros com renda superior a dez salários mínimos deveria ter facilidades para a compra de imóveis a preços exorbitantes porque um dia eles financiariam casas para os brasileiros que vivem na Índia de menos de cinco salários mínimos. Deram-se simultaneamente a concordata da Bélgica e a ineficiência financeira e, como resultado, objetivo social do BNH ficará para ser alcançado daqui a muitos anos.
Para os mutuários incapazes de suportar o peso dos 128% de aumento, a questão social está à porta e, por enquanto, só lhes é dado o caminho da articulação através das recém-nascidas associações, algumas das quais revelam mais capacidade de servir a grupos políticos que as patrocinam do que em atender com resultados reais às pessoas que mobilizam. A mais audaciosa das iniciativas postas em prática até agora saiu da Associação dos Mutuários da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Ela recorreu à consultoria do advogado Sérgio Bermudes, nacionalmente conhecido depois de 1978, quando concebeu uma formulação legal através da qual obteve a condenação da União junto à Justiça Federal pela morte, nas dependências do DOI-CODI paulista, do jornalista Vladimir Herzog, em 1975. Bermudes acredita que a solução agora seja política, mas ainda assim vale-se de uma argumentação jurídica: "No momento em que uma pessoa se habilita a comprar um imóvel financiado, ela tem que provar uma renda compatível com a prestação vindoura. Esta prova tem duas finalidades: a primeira, verificar se ao adquirir o imóvel a pessoa está colocando em risco a subsistência da família, e a outra, garantir que o governo receberá de volta o que emprestou. Há no Direito um princípio que reza em latim: Sic Rebus Stantibus, ou seja, as coisas devem se manter as mesmas enquanto a situação é a mesma. Portanto, se as coisas não são mais as mesmas, por que manter a mesma situação?"
COMO FlGUEIREDO - Segundo esse raciocínio, se a situação dos mutuários mudou, num caráter geral, de tal forma que se rompeu o equilíbrio financeiro estabelecido na operação de compra da casa, devem-se rever as condições de pagamento.
A primeira vista o argumento de Bermudes é tão simples quanto ingênuo, mas acreditar que ele esteja a perder tempo por isso seria o mesmo que considerar uma perda de tempo o discurso do presidente João Figueiredo nas Nações Unidas, no ano passado. Lá, Figueiredo advertiu que as condições da economia mundial tinham mudado tanto, para pior, que se essa tendência não se modificasse os países em desenvolvimento sofreriam um tal abalo que ele se refletiria sobre o resto da economia mundial. Menos de um ano depois, assim como os mutuários do BNH, o Brasil começa a colecionar argumentos em favor de uma serena moratória de sua dívida externa, em relação à qual conseguiu dos bancos internacionais algo que o BNH ainda não cogita oferecer no mercado interno: o atraso de um ano na amortização do principal, honrando apenas o pagamento dos juros.
O SONO DE JOSÉ LOPES - É certo que há na cartola do governo diversas medidas para serem tomadas em relação aos mutuários do BNH diante do risco de uma epidemia de inadimplência. A mais óbvia das defesas será uma grande campanha de esclarecimento para que cada mutuário, antes de desistir da casa ou de pagar a prestação, procure um entendimento com o agente financeiro. Lá ele pode obter a prorrogação do prazo, solução eficaz para todos aqueles que já pagaram mais de um terço da dívida, pois mesmo a um custo financeiro alto o novo prazo permitirá que a prestação caia em até 20%.
Nenhuma facilidade, porém, será criada de forma a estimular soluções fáceis, que não custem aos mutuários sequer aborrecimentos burocráticos. Isso porque estima-se que haja dois tipos de mutuários e dois tipos de impacto para os 128%. Um, aquele que comprou seu imóvel antes de 1980, quando a correção monetária foi prefixada em 45% e a inflação real foi de 110,2%. Nesse caso, o benefício foi tamanho que tomando-se o exemplo de um edifício na Tijuca, no Rio de Janeiro, com apartamentos de sala e três quartos, a prestação, mesmo corrigida com os 128%, irá para 75.000 cruzeiros. No mesmo prédio, quem comprou o apartamento em 1981, terá a prestação reajustada para 230.000 cruzeiros.
Onde terminam os mutuários que não podem pagar e começam aqueles que estão à espera de uma oportunidade para dar um calote no BNH, só os primeiros dias de julho dirão. José Lapes de Oliveira certamente terá poucas noites de sono na próxima semana, pois irá para casa com um olho no quadro de depósitos das cadernetas e outro no índice de inadimplência de seu banco. Para bancar esse jogo ele tem 220 bilhões de cruzeiros em caixa, em papéis do Tesouro. Se o subsídio dado pela lei aos funcionários públicos, somado à inadimplência e às operações de socorro que a cada trimestre o banco é obrigado a patrocinar para sociedades de créditos, superar essa quantia, o BNH pedirá água. De certa forma, a água já está até estocada, pois o Banco Central, alertado para os riscos de julho, comprará ao BNH cédulas hipotecárias, num montante ainda indefinido porque indefinido é o tamanho do provável buraco.
Para o governo, a crise do BNH é o sintoma mais claro da chegada da recessão a seus próprios escritórios. Para ele, não é apenas o sonho da casa própria para a classe média que deixou de ser uma quimera a ser alimentada, mas o próprio sonho do BNH que começa a se acabar. Com uma diferença: não adianta pensar em devolvê-lo ao agente financeiro.

13 de dez de 2010

Investir em imóvel é lucro garantido - crítica à matéria do correio braziliense feita pelo Fábio do blog opequenoinvestidor.com.br

Colegas do blog,
Reproduzo matéria postada no blog opequenoinvestidor.com.br na qual é feita crítica à matéria "jornalística" "desinteressada"  publicada no Correio Braziliense a qual afirma que Investir em imóvel é lucro garantido. Pena que quando a bolha estourar quem investiu com base na "matéria" não vai poder processar o jornal e o jornalista que escreveram esta atrocidade.
Abraços a todos,


Calma, leitor. Não sou chapa branca não. Nem mudei de ideia quanto à existência de uma bolha imobiliária perigosíssima que ronda o Brasil e, particularmente, Brasília.
O título desse post é o título de um artigo de um jornal de Brasília, o Correio Braziliense. Leiam a matéria, publicada ontem, dia 09/12/2010 (nota especial para as partes em negrito):
Investir em imóvel é lucro garantido Comprar imóveis é atualmente uma das melhores opções de investimento, graças à demanda elevada, ao cenário econômico favorável e à expressiva oferta de crédito. No Distrito Federal, os bons rendimentos levam investidores de diferentes perfis a ter a mesma percepção. “Muitas pessoas têm deixado de investir em bolsas de valores e poupança para comprar um apartamento, uma casa ou sala comercial. Isto está ocorrendo porque nos últimos 10 anos o setor valorizou muito”, conta Leonel Alves, diretor comercial de uma das maiores imobiliárias de Brasília. Ele lembra que, em 2000, um apartamento de três quartos com 100 metros quadrados estava avaliado em R$ 160 mil e custa hoje R$ 950 mil. Os números revelam uma valorização de quase 500%. “O preço de um imóvel na capital sobe, em média, 25% ao ano. No entanto, em locais como Sudoeste e Asa Sul e Norte, chega a haver picos de 40% de valorização anual”, diz. Para o diretor comercial, no Distrito Federal este é um investimento com lucro certo. Quem compra o primeiro imóvel e tem bons rendimentos já pode investir na compra de um segundo. “No meio imobiliário, a gente diz que dois imóveis pagam três, e três pagam quatro, ou seja, quem pode alugar dois apartamentos consegue comprar o terceiro com mais folga financeira”, sublinha Alves. Outro bom negócio é comprar lojas ou salas comerciais, que são certeza de valorização, além de gerarem um bom aluguel. Conforme o Boletim de Conjuntura Imobiliária, divulgado em setembro, os maiores preços de venda e aluguel de lojas são encontrados em Águas Claras, enquanto as salas comerciais mais caras e rentáveis estão em Brasília, sobretudo na Asa Sul. Foi pensando em fazer um pé de meia que o comerciante Adrian Carvalho, de 38 anos, começou a investir em imóveis há seis anos. “Desde pequeno, via que as pessoas mais abastadas tinham muitos apartamentos. Então, tracei um objetivo e percebi que era o melhor investimento”, afirma Carvalho. Com uma loja, três quitinetes e um apartamento de três quartos, ele garante que vale mais a pena investir em imóveis pequenos. “O melhor retorno financeiro está no valor do imóvel. Não vale tanto pelo aluguel, porque hoje corresponde a menos de 1% do preço do apartamento”, explica. O investidor acredita ser mais lucrativo comprar e alugar quitinetes: “Minha experiência mostra que apartamentos com mais de dois quartos dão mais despesa, porque a manutenção com reforma é maior. Além disso, imóveis menores são mais fáceis de achar locatário e podem ser alugados por porcentagem maior de seu valor”. Compra coletiva Mas cada investidor tem sua maneira de ganhar dinheiro. O também comerciante Fernando Oliveira, por exemplo, prefere investir em imóveis maiores. A cada pré-lançamento, ele e amigos se preparam para comprar várias unidades. “Compramos cinco a 10 apartamentos por lançamento. Dependendo do tipo de imóvel, esperamos valorizar para revender ou mantemos como patrimônio para alugar”, diz. Segundo Oliveira, o grupo só investe em quitinetes e apartamentos pequenos para revender. “Essas obras ficam prontas em aproximadamente dois anos, então quando está próximo do lançamento nós revendemos o imóvel pelo dobro do capital investido”, comenta. Os apartamentos com mais de dois quartos são mantidos para alugar. “Como somos quase 10 amigos, não vale a pena distribuir aluguel de quitinete. É melhor fazer isso com apartamentos maiores”, esclarece. FINANCIAMENTOS DE BANCOS DISPARAM (…)

A partir daí, a matéria tece considerações sobre o aumento de crédito no setor imobiliário. Vamos nos concentrar nos trechos que transcrevi. Primeiro, o título. Fantástico, não? Uma matéria “jornalística” que estampa, em letras garrafais, que investir em imóvel é lucro garantido. Se eu escrevo um texto dizendo que investir em ações é lucro garantido, me chamam de louco, me apedrejam e, quem sabe, até me processam. Quem tiver prejuízo no mercado de ações ainda vai arrumar um jeito de me processar pra eu pagar o prejuízo que teve. É por isso que não alardeio lucros certos: isso não existe. Quer investir em ações? Faça-o por conta e risco. Eu acredito que é lucrativo, mas que você deve tomar cuidado e estudar muito antes de aplicar suas economias no mercado. Esse sou eu, o blogueiro responsável que está tentando incutir um pouco de juízo na cabeça alheia. Mas aí um jornal da capital da República publica uma matéria em que praticamente promete uma máquina de produzir lucros perpétuos para seus leitores. Será que o jornalista que escreveu a matéria (cujo nome convenientemente não aparece no texto, havendo uma indicação enigmática da “Redação”) sabe alguma coisa de economia? Será que um leitor desavisado do jornal que resolver investir em imóveis agora e, por acaso, tiver prejuízo, vai ser ressarcido pelo jornal? Afinal, uma matéria cujo título é “INVESTIR EM IMÓVEIS É LUCRO GARANTIDO” transparece segurança. Quem vai discordar? Só um blogueiro maluco da capital, que resolveu aprender um pouco de juros compostos mesmo… Mas vamos em frente. O primeiro entrevistado é Leonel Alves, identificado como diretor comercial de uma imobiliária da capital. Ele diz, segundo a matéria, que “os números revelam uma valorização de quase 500%. “O preço de um imóvel na capital sobe, em média, 25% ao ano. No entanto, em locais como Sudoeste e Asa Sul e Norte, chega a haver picos de 40% de valorização anual”. Para reforçar sua tese, ele argumenta com um exemplo concreto: um apartamento que valia R$ 160.000 em 2000 e que, hoje, está avaliado em R$ 950.000. Eu resolvi fazer umas continhas, que você pode acompanhar abaixo:

Que conta maluca é essa? É que eu adoro testar o raciocínio alheio. O que eu fiz na tabelinha foi aplicar a taxa média de valorização dos imóveis anunciada. Pois é, em 15 anos o apartamento cujo preço, hoje, é R$ 950.000,00, valerá R$ 27.000.000. O plano piloto, zona central de Brasília, só vai ter milionários. Quem tiver 4 apartamentos, vai ter R$ 108.000.000, mais que o valor da mega sena. Nesse ritmo, em mais quinze anos alguns brasilienses estariam na lista dos mais ricos do mundo, segundo a Forbes. Duvida? Mais 15 anos de juros compostos calculados à taxa de 25% ao ano, e cada apartamento valerá R$ 250 milhões. Em mais 7 anos, R$ 1 bilhão. Até eu quero entrar num negócio desse. Besteira? É essa a conta que o jornal está fazendo para convencer você que investir em imóveis, hoje, é um negócio fantástico. Nem a inflação conseguiria explicar um aumento de preços tão absurdo.
O melhor exemplo de que tem muita gente hipnotizada por essa conversa é a segunda entrevista, com o sr. Adrian Carvalho, que diz o seguinte: “O melhor retorno financeiro está no valor do imóvel. Não vale tanto pelo aluguel, porque hoje corresponde a menos de 1% do preço do apartamento”. Ou seja, o bravo investidor compra imóveis sem nem se preocupar com o valor do aluguel (aliás, em Brasília, a relação entre o aluguel e o preço do apartamento é muito menor do que 1%). O que interessa é a valorização do imóvel. Fé cega na manutenção do ritmo atual de crescimento dos preços. Se você acredita que um imóvel que vale R$ 950.000 hoje vai valer R$ 27.000.000 em 2020 ou R$ 250.000.000 em 2035, enfie a cara no financiamento e compre. Por sua conta e risco.

O que me preocupa ao ler uma matéria como essas é o perigo em potencial. Não se mostra o outro lado; o lado de quem acredita que estamos em uma bolha especulativa imensa, que vai trazer prejuízo a muita gente se algo acontecer no crédito. É nesses momentos de irracionalidade, em que a coletividade acredita que o único caminho dos preços de um ativo é “para cima”, que as chances de uma bolha estar se formando se tornam maiores. Mas os jornais, muitos deles patrocinados por construtoras e imobiliárias, não se preocupam em mostrar isso.

Quando a bolha estourar, vão dizer que era inesperada, que todo mundo foi pego de surpresa. Como aconteceu nos EUA: havia muita gente boa, com credibilidade, alertando para os excessos de concessão de crédito (como, aliás, está ocorrendo aqui), mas os jornais não acreditaram. As pessoas continuaram se endividando para comprar casas novas. Da mesma forma, no dia que os excessos se corrigirem por aqui e as pessoas tiverem prejuízo, os jornais vão mostrar quem tomar prejuízo como coitadinhos, vítimas dos malvados banqueiros, que deram crédito a quem não tinha emprego seguro. Pra ficar bem na foto, vão dizer que a culpa é das construtoras (muitas das quais, falidas, não vão mais patrocinar os jornais), que financiavam os imóveis com prestações ridículas, deixando a bomba estourar no valor das chaves. Besteira. A culpa é dos banqueiros, sim, e também das construtoras.

Mas a culpa será, principalmente, da ganância dos atuais compradores. De quem está “flipando” imóveis, comprando apartamento para vender dois anos depois com um lucro de 70% e usando os lucros para comprar ainda mais imóveis. Quem está financiando o apartamento novinho em folha pagando prestação de R$ 500 e deixando para se virar para pagar as chaves sabe lá Deus como. A ganância será sua desgraça.

30 de nov de 2010

Para descontrair

Comentário publicado por Marcus Scavone na Folha de São Paulo, em resposta a matéria sobre aumento de 81% nos preços de imóveis em São Paulo.
EXISTE UM MOTIVO CÓSMICO PARA A SITUAÇÃO ATUAL. VCS QUE NÃO ENTENDERAM
1 - Os aptos são pequenos para incentivarem a luta contra a obesidade;
2 - As vagas para Autos são pequenas para incentivarem o uso de Bicicletas, que são boas para a saúde e combatem a poluição;
3 - Os aptos são caros para não sobrar dinheiro para as pessoas gastarem com bebidas, drogas; jogos de azar, etc...
4 - O pé direito é baixo para combater a infidelidade conjugal (chifres).
ESTÃO VENDO ? NÃO É BOLHA IMOBILIÁRIA

O que esperar da economia brasileira por Leandro Roque, sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Gostaria de oferecer aos leitores do blog este impressionante texto do editor do site mises brasil, Leandro Roque, a respeito do que ocorreu na economia brasileira nos últimos anos e o que esperar do futuro. O texto é brilhante e dispensa maiores comentários.
O que esperar da economia brasileira
por , sexta-feira, 26 de novembro de 2010
O gráfico a seguir mostra a evolução do volume total de crédito concedido, tanto por bancos estatais quanto privados, para o setor privado industrial, o setor privado comercial, o setor privado de outros serviços, o setor privado rural, o sistema habitacional e para pessoas físicas, desde agosto de 1994.
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Observe que de 1996 a 2004, o volume concedido cresce parcimoniosamente.  A partir de 2004, a concessão de crédito começa a acelerar, a taxas cada vez mais acentuadas, até estagnar-se novamente no final de 2008/início de 2009, período em que a economia passou por uma recessão.  A partir de maio de 2009, o volume de crédito concedido volta a crescer a taxas aceleradas — e é nesse ponto em que nos encontramos hoje.

A bolha vai estourar?

Heitor Mello Peixoto - O Estado de S.Paulo
O Brasil vive um boom imobiliário. Milhões de famílias adquirem o primeiro imóvel, mudam para um maior ou investem num ativo real que tende a se valorizar com o tempo. É uma euforia geral. Nunca antes neste país o preço dos imóveis subiu tanto em tão pouco tempo.
Um amigo, por exemplo, vendeu há três anos um imóvel de dois dormitórios nos Jardins, em São Paulo, por R$ 160 mil. Hoje esse imóvel custa R$ 450 mil - valorização de 30% ao ano por quatro anos consecutivos. Um retorno invejável se comparado a outras aplicações. Pesquisa da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp) revela que o preço do metro quadrado de imóveis de dois dormitórios em São Paulo subiu 42,86% no primeiro quadrimestre de 2010, na comparação com igual período de 2009. Segundo cálculos do administrador de investimentos Fabio Colombo, o capital investido no período em CDIs valorizou-se 9,19% e na caderneta de poupança, 6,68%. Em ouro, teve desvalorização de 6,84% e, em dólar, retração de 23,83%. Outro estudo da Embraesp mostra que o preço médio do metro quadrado do apartamento de um dormitório subiu 75% entre 2008 e 2010.
A questão é: esse crescimento é sustentável? Vivemos uma bolha imobiliária?
Para o grande grupo que afirma que não (banqueiros, investidores e construtores), esse crescimento é sustentável e a tendência é de mais alta nos preços. Essa maioria argumenta que o crédito imobiliário no País é baixo em relação ao PIB, algo em torno de 2%, insignificante se comparado aos 68% nos EUA, 75% na Inglaterra ou 20% no Chile. Também aponta o grande déficit habitacional do País, a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016 como impulsores do crescimento do setor.
Não nos vamos iludir. Vivemos uma bolha imobiliária e ela pode estourar em breve. Alguns "sinais periféricos", no jargão dos futuristas, nos levam a pensar assim.
Regras básicas do negócio de imóveis: um pronto vale mais do que na planta, o aluguel gira em torno de 0,5% a 1% do seu valor, o preço do metro quadrado de dois semelhantes varia consideravelmente se tiverem "idades" muito diferentes. Para uma boa compra, muita pesquisa e paciência. Tais regras não valem atualmente.
Pode parecer sedutor um apartamento na planta no litoral sul de São Paulo vendido pelo mesmo preço de outro já pronto no mesmo empreendimento, em outra torre, com melhor localização. Mas o valor é parcelado, terá incidência de juros após a entrega das chaves. Tão estranho quanto isso é o fato de esses imóveis serem vendidos pelo mesmo preço de uma cobertura vizinha, pronta há três anos, mas com o dobro da área útil.
E por que pagar 50% a mais pelo metro quadrado por uma diferença de apenas três anos entre os imóveis, já que as demais condições (localização, infraestrutura, etc.) são as mesmas? A justificativa do corretor é a grande alta no preço dos terrenos nos últimos três anos. Ah, bom, então está explicado! Imóveis têm sido vendidos no prazo de uma semana - o prazo normal era de meses e até anos em épocas anteriores. Quebras de lógica assim já ocorreram no boom dos negócios da internet, no final dos anos 1990, e no boom dos flats em São Paulo, no início dos anos 2000. Ambas viraram bolhas que estouraram.
Recente reportagem na TV mostrou um casal que foi passear num shopping, entrou no estande de uma construtora e saiu com apartamento novo. Compra de apartamento por impulso? Essa é nova. Os aluguéis reforçam a suspeita. Em tese, a locação de um imóvel que duplicou de preço deveria também dobrar. Mas a renda do inquilino não duplicou no mesmo período. Se esses aumentos generalizados forem absorvidos pelo mercado, causarão pressão inflacionária generalizada pelo País. Imóveis residenciais para todas as faixas de renda e comerciais de todos os tamanhos sofrem alta. Pesquisa da Cushman & Wakefield aponta, por exemplo, que o preço em reais de locação do metro quadrado comercial de alto padrão, no Rio de Janeiro, subiu 60% entre o terceiro trimestre de 2009 e o terceiro trimestre de 2010.
Essa pressão inflacionária, se somada a outras possíveis, como o aumento da taxa de câmbio, pode desencadear inflação, já que um quinto dos bens consumidos hoje no Brasil provém do exterior. Mais inflação significa aumento da correção e do valor das parcelas de financiamentos superior ao que muita gente pode pagar. Começaria uma onda de inadimplência. Resultado: algo semelhante à crise do subprime americano. E lá a taxa de juros do crédito imobiliário é de 5%, ante os 12% daqui.
Se os aumentos de aluguel não forem absorvidos pelo mercado, o investimento em imóveis deixaria de ser interessante, pois o valor da locação cairia muito em termos porcentuais em relação ao valor do imóvel. Investidores teriam de vender "estoques" e buscar algo mais rentável, desencadeando uma onda de vendas, contribuindo para estourar a bolha.
O brasileiro, em geral, calcula se a parcela cabe no salário, esquece taxas de juros, manutenção, impostos e fator de correção monetária escolhido. Também nunca teve tanta disponibilidade de crédito, e aproveita - para imóvel, carro, eletrodomésticos, computador, etc. Recente Relatório de Inflação do Banco Central informa que as dívidas "comem" 23,8% da renda dos brasileiros, ante 17,02% dos americanos. E se a inflação subir? E se a China parar de crescer tanto? E se todo esse dinheiro estrangeiro que inunda o Brasil deixar o País em busca de outras praias, como será o dia seguinte? Em tempo: há uns dois anos não víamos tantos anúncios de imóveis novos em jornais com comparativos de preços por metro quadrado. Será um sinal de mudança no rumo dos ventos?
Agora é acompanhar a escolha de toda a equipe de Dilma, a inflação, a entrada de recursos no País, o desemprego e o mercado imobiliário em si. Sinceramente, espero estar errado. Mas não vou investir no mercado imobiliário até 2012.
SÓCIO-FUNDADOR DA EYESONFUTURE (WWW.EYESONFUTURE.COM.BR), CONSULTORIA ESPECIALIZADA EM CENÁRIOS EMPRESARIAIS, FOI SÓCIO-FUNDADOR DA BUSINESS SCHOOL SÃO PAULO (BSP) 

27 de nov de 2010

Preços históricos de imóveis em Brasília/DF

Segue planilha atualizada com os valores da pesquisa dos preços históricos de imóveis em Brasília realizada nos classificados do Correio Braziliense referente aos anos de 94,96,98,2000,2002 e 2004. A última coluna contém o preço atualizado pelo IPCA. Não se assustem, o preço dos imóveis dobrou ou triplicou já descontada a inflação oficial. É isso mesmo. Para mim é bolha imobiliária inflada pelo crédito abundante, pela compra do ágio para especulação e pela mania e euforia imobiliárias que tomaram conta da população do DF e do Brasil. Para ver todos os dados clique em Mais informações no fim do post.

Quem quiser o arquivo em excel pode deixar o e-mail nos comentários que eu repassarei assim que puder.
Bom feriado a todos,
Pedro

DATA ENDERECO M2 PRECO *1000 QTOS OBS PRECO*1000 CORRIGIDO PELO IPCA ATÉ 31/8/2010
2/6/1994 SQS 206 N/D 83 3 301
2/6/1994 SQS 311 N/D 70 2 254
2/6/1994 SQS 408 N/D 42 2 152
2/6/1994 SQS 307 D 205 N/D 135 4 490
2/6/1994 SQS 408 N/D 34 2 123
2/6/1994 SQS 415 N/D 39 2 142
2/6/1994 SQS 405 N/D 57 3 207
2/6/1994 SQS 406 N/D 55 3 200
2/6/1994 SQS 307 N/D 90 2 327
2/6/1994 SQS 407 N/D 60 3 218


22 de nov de 2010

Housing Bubble Song

Bolha Imobiliária na Irlanda - Qualquer semelhança com o Brasil é mera coincidência - Aqui tudo é diferente

El boom inmobiliario que sedujo a Irlanda y acabó hundiéndola

21/11/10
Por todo el país hay casas sin dueños. Son un símbolo de la crisis financiera que estalló en la isla.
PorMARÍA LAURA AVIGNOLO 
DUBLIN. ENVIADA ESPECIAL
Las grúas coloradas están rígidas en el cielo gris, como enormes cuellos de jirafas. Nada se mueve, todo está abandonado. Las gaviotas sobrevuelan el fantasmal descampado y descienden agresivamente en zoom en busca de comida. Spencer Dock iba a ser uno de los más lujosos complejos inmobiliarios de Dublín. Hoy representa la explosión de la burbuja inmobiliaria y la especulación , los excesos de los “developers” y el crédito fácil de los bancos irlandeses, que han sumergido al país en la crisis y la pérdida de su soberanía fiscal.
Un esqueleto de 10 pisos es otra muestra de la fácil ambición en el “Tigre Celta”. Un país que se desmoronó cuando sus bancos explotaron ante la recesión y su irresponsabilidad a la hora de prestar. Después de dos años de negación, de amparar a los banqueros y feroces recortes en el bienestar del resto de los irlandeses, el gobierno de la coalición conservadora ahora enfrenta la primera misión del FMI para implementar un rescate que no sólo los salve a ellos sino al euro y a la credibilidad de la Unión Europea.
Los Docklands son hoy la imagen de la desolación y de un pasado de avaricia y consumismo , que transformó en inesperados “nuevos ricos” a una población que había conocido la pobreza y el hambre. Es la zona portuaria atravesada por el río Liffey, que divide a Dublín entre el norte trabajador y el “southside” más “chic” e intelectual, si hay que estereotipar. Edificios de vidrio y acero abandonados, con carteles estériles de alquiler o venta sin interesados y algunos con las luces encendidas en pleno día. El tranvía pasa sin pasajeros. Nadie sube o baja en su parada en Spencer Dock porque casi no vive nadie en toda el área.
Los “ghost states” “o “residencias fantasmas” se reproducen a lo largo del país . La razón es simple. Los bancos otorgaban créditos sin referencias, sin saber si sus clientes los podían pagar. Así consiguieron que aun la familia más ordinaria pidiera un crédito para su casa y luego, incluso con todo su ingreso comprometido, recibiese otra oferta para renovar su auto o comprar una villa en el Mediterráneo. Hoy cada familia irlandesa debe en promedio 132.000 euros a los bancos y el precio de las casas que compraron valen el 36% menos que en el 2006, cuando pagaron por ellas cifras exorbitantes. El desempleo llegó al 14% desde los años de oro, cuando estaba en el 4%.
Así se construyó el fenómeno del “Tigre Celta”. Desde mediados de los ‘90 hasta el comienzo de la crisis, Irlanda pasó de ser uno de los países más desheredados de Europa a una república modelo y de economía floreciente , con una combinación de subsidios de la Unión Europea a sus granjeros y concesiones a las multinacionales, que llegaron aprovechando la capacidad multilingüe y hospitalaria de los irlandeses. El “corporate tax” o impuesto a las corporaciones fue solo del 12,5% y se convirtió en imán para las inversiones. Es el que hoy los irlandeses no quieren negociar con el FMI para garantizarse nuevas inversiones.
El boom económico se basó en una inversión de altas tecnologías, diseños de software y nuevos edificios, que transformaron a Dublín en un sueño americano, con una economía que crecía a tasas casi chinas del 6%.
Un boom inmobiliario alimentó la ilusión y los bancos prestaron con absoluta irresponsabilidad , sin el menor control de los reguladores y con el guiño irresponsable de sus gobiernos. Los irlandeses se sentían ricos, en el primer mundo y felices. Hasta que se bajó el telón. La economía entró en recesion, como el mundo después de la crisis de las hipotecas. El déficit público se convirtió en un Frankenstein que alcanza el 32% del PBI y los bancos colapsaron. Para mantener a los mercados en calma, el gobierno rescató a los bancos y aplicó recortes draconianos para los irlandeses que no eran banqueros. Cuatro meses después, las agencias de ratings, que habían calificado a los bancos con Triple A hasta hace poco tiempo, le quitaron la confianza. El mercado fue por más: rescate triple del FMI, la UE y el Banco Central Europeo o bancarrota era la opción.
A Irlanda no le quedó más remedio que aceptar al FMI . Eran ellos o el contagio a Europa.
Churchtown House, una distinguida casa estilo georgiano en Dublín y construida en 1870, simboliza el “boom to bust”, como llaman los anglosajones a este proceso de éxito y caída. Esta enorme residencia, que alguna vez supo ser la embajada holandesa en Irlanda, se vendió cuatro veces en 13 años. En 1997 se transfirió por 700.000 euros, 200.000 más de lo esperado. En 2006 fue vendida por 10,5 millones de euros. Ahora, un administrador de una compañía en bancarrota que era su dueña se contenta con conseguir 3 millones. Nada mejor que Irlanda para hacer negocios inmobiliarios con la desgracia general.
Por su larga batalla contra los británicos por la tierra, la justicia se resiste a la reposesión de casas por pedido de los bancos. Tampoco los bancos se atreven a exigirlas pero es un estigma no pagar en Irlanda , un pecado moralmente inaceptable.
“Esto va a cambiar”, escribió el economista Morgan Kelly en The Irish Times , el diario más respetado del país. “Si una familia defaultea su crédito hipotecario, ellos son parias. Si 200.000 personas defaultean, son una poderosa circunscripción política. La creciente crisis hipotecaria pone a Irlanda en la cúspide del conflicto social en la misma escala de la guerra por la tierra”.
Los irlandeses apuntan a la complicidad de los bancos con los “developers”, esos barones de la propiedad que comenzaron de abajo como constructores cuando Irlanda era pobre y se convirtieron en millonarios. Al menos 29 “developers” se han suicidado y otros se han ido del país por temor a la ley de quiebra, particularmente dura en Irlanda.
La buena noticia es que los “developers” no tienen futuro en la nueva Irlanda. La mala es que muchos han partido a Brasil, a Chile, a Australia y a Qatar a hacer los mismos negocios que practicaban en Dublín.

El gobierno se reúne hoy por el ajuste

El gobierno irlandés celebrará hoy una reunión extraordinaria de su gabinete para concluir su plan presupuestario para los próximos cuatro años, informó la televisión británica BBC. Se espera que los resultados del debate, que se harán públicos el martes, muestren la manera en que Irlanda planea salir de la crisis financiera cumpliendo los parámetros prescritos para los miembros de la Eurozona, como un déficit menor al 3% del Producto Bruto Interno (PBI). Este año Irlanda cerrará sus cuentas con un rojo de 32%. El paquete de medidas prevé un nuevo y drástico recorte de 15.000 millones de euros (US$ 20.500 millones).En tanto, Dublín sigue en conversaciones con la Unión Europea y su Banco Central, más el FMI, para concretar los términos de un rescate internacional. Los detalles se difundirán después de que Irlanda anuncie su plan presupuestario. Irlanda aún se resiste a temas como elevar los bajos impuestos que le cobra a la renta empresaria. 

DUBLIN Y LONDRES. DPA


Claves

Irlanda es el país de la zona euro con mayor déficit fiscal respecto de su PBI, 32%, diez veces más de lo que permite el “club” europeo.

Igual que otros socios como Grecia o Portugal, o entre los grandes España o Reino Unido, desfinanció su presupuesto. 

En su caso, por bajas impositivas record a las empresas (para atraer capitales) y porque el Estado gastó un dineral cuando salvó a la banca, nacionalizándola, tras las pérdidas por el estallido de una burbuja inmobiliaria. Los bancos irlandeses habían entrado al juego especulativo, como en muchos otros países.

20 de nov de 2010

Torre de Donald Trump pode ir a leilão com crise imobiliária - Terra Notícias

http://not.economia.terra.com.br/noticias/noticia.aspx?idNoticia=201011191826_AFP_79394796


Uma torre que o milionário americano Donald Trump construiu ao norte de Miami é a vítima mais recente da crise hipotecária na Flórida, e boa parte de seus 200 apartamentos de luxo estão embargados e podem ir à leilão, informaram esta sexta-feira consultores do setor.
O edifício "Trump Hollywood", uma imponente torre de 41 andares, em frente à praia de Hollywood (20 km ao norte de Miami Beach), tem condomínios cujos preços iam de US$ 1 milhão a US$ 7 milhões, mas em apenas 25 das 200 unidades, os compradores potenciais fizeram negócios, segundo as fontes.
A compra das unidades poderia ser realizada com um pagamento inicial de 20% e um empréstimo hipotecário era acertado para financiar o restante do preço, mas entretanto, a recessão e a queda vertiginosa no valor das propriedades arruinaram o negócio daqueles que queriam os condomínios como investimento.
O desastre no mercado de condomínios "estava destinado a ocorrer porque muitos promotores venderam unidades demais a investidores que não iam morar nelas", comentou Lewis Goodkin, da Goodkin Consulting, firma baseada em Miami.
"Isto criou a falsa demanda que fez subir os preços", que em seguida caíram abruptamente diante da falta de compradores, afirmou.
Os preços das propriedades na área de Miami caíram 47%, quase a metade do valor que tinham em 2006, no auge da chamada bolha imobiliária, segundo o índice Standard&Poor's Case-Shiller de preços de imóveis.
Com uma enorme oferta de propriedades à venda, os preços só não caíram mais graças, em boa medida, à demanda de investidores internacionais, grande parte da América Latina, que chegam a Miami em busca de boas oportunidades de negócios, segundo agentes imobiliários.
Cinco mil propriedades, inclusive casas, condomínios e imóveis comerciais cada vez mais ficam
nas mãos dos bancos por hipotecas não pagas na área de Miami, seus arredores e Palm Beach, segundo o site especializado Condovultures Realty, que atualmente tem uma base de dados de 236.000 unidades nesta situação no sul da Flórida.
Donald Trump, um investidor imobiliário que virou celebridade após apresentar o ''reality show'' "O Aprendiz", sobre como fazer negócios, disse esta semana que aspira ser presidente dos Estados Unidos e que poderia se apresentar como pré-candidato republicano para as eleições de 2012.